Carta aos próximos Papas (com o conhecimento dos cristãos)
A PARTIR DO INTERIOR - Há uma comparação que diz que tal como um vitral só é bem apreciado por quem está dentro de uma igreja (edifício), também as críticas só podem ser bem feitas quando partem de dentro da Igreja (comunidade).
É esta “interioridade” que faz do livro “Carta aos sucessores de João Paulo II” (Editorial Notícias) uma crítica diferente das outras. Onde outras são sensacionalistas e centradas nos mesmos escândalos e nos mesmos temas (ordenação das mulheres, celibato, divórcio e poder do papa...), esta é muito mais recatada, centrada em princípios e não em factos, mas muito mais profunda porque faz pensar em muitos factos, ainda que não sejam nomeados directamente. As outras criticam porque não amam e com base no preconceito. Esta critica porque conhece e ama. As outras incomodam sem motivar a mudança. Esta, sendo muito mais radical (vai à raiz, ou seja, até ao tempo em que Pedro era um pescador na Galileia ou em que “Jesus levantou-se, pediu uma toalha, que amarrou à cintura, encheu uma bacia de água e aproximou-se de cada um deles para lhes lavar os pés”), cria no leitor cristão o desejo de “tomar em mãos o futuro da sua Igreja”.
PARA OS DOIS PRÓXIMO PAPAS - Ler a “Carta aos Sucessores de João Paulo II” não é violação de correspondência. O livro dirige-se “aos dois futuros papas, iniciadores de grandes reformas”, depois de “Karol Wojtyla, que foi escolhido para realizar uma missão específica que cumpre de forma admirável”, mas também aos próprios cristãos – sem os quais não será possível realizar essas reformas. O autor refere ainda que este é também um livro para não-cristãos, mas dificilmente um não-cristão pode sentir entusiasmo (bonita palavra que quer dizer “levar Deus dentro se si”) nestas 19 meditações eclesiais, porque não está do lado de dentro da Igreja.
OUSAR CRITICAR - A crítica às instituições religiosas é uma característica dos grandes profetas, a começar pelos do Antigo Testamento (“quero misericórdia e não sacrifícios” – a frase mais citada no Novo Testamento) e passando por Jesus Cristo, que tem uma morte política depois de uma condenação religiosa. O profeta de Nazaré sentiu mais do que ninguém a necessidade de mudança no judaísmo, começando pela reforma do coração de cada pessoa.
O AUTOR - Olivier Le Gendre, o autor, não é teólogo de profissão, nem padre. Diz a capa do livro que “nasceu em 1950, é casado e pais de cinco filhos. Estudou letras e gestão (...). Editorialista, conferencista, autor de uma carta semanal de aconselhamento estratégico para dirigentes de empresa e responsáveis de administração, é igualmente animador de sessões e retiros”. Escreveu um livro que, dos publicados ultimamente, é sem dúvida o melhor sobre a Igreja. Se alguém, após iniciar a leitura, se sentir defraudado, leia pelo menos o último capítulo (“O Evangelho da Igreja” – onde se nota a vocação de animador de retiros) e perceberá por onde passa o futuro da Igreja.
A PARTIR DO INTERIOR - Há uma comparação que diz que tal como um vitral só é bem apreciado por quem está dentro de uma igreja (edifício), também as críticas só podem ser bem feitas quando partem de dentro da Igreja (comunidade).
É esta “interioridade” que faz do livro “Carta aos sucessores de João Paulo II” (Editorial Notícias) uma crítica diferente das outras. Onde outras são sensacionalistas e centradas nos mesmos escândalos e nos mesmos temas (ordenação das mulheres, celibato, divórcio e poder do papa...), esta é muito mais recatada, centrada em princípios e não em factos, mas muito mais profunda porque faz pensar em muitos factos, ainda que não sejam nomeados directamente. As outras criticam porque não amam e com base no preconceito. Esta critica porque conhece e ama. As outras incomodam sem motivar a mudança. Esta, sendo muito mais radical (vai à raiz, ou seja, até ao tempo em que Pedro era um pescador na Galileia ou em que “Jesus levantou-se, pediu uma toalha, que amarrou à cintura, encheu uma bacia de água e aproximou-se de cada um deles para lhes lavar os pés”), cria no leitor cristão o desejo de “tomar em mãos o futuro da sua Igreja”.
PARA OS DOIS PRÓXIMO PAPAS - Ler a “Carta aos Sucessores de João Paulo II” não é violação de correspondência. O livro dirige-se “aos dois futuros papas, iniciadores de grandes reformas”, depois de “Karol Wojtyla, que foi escolhido para realizar uma missão específica que cumpre de forma admirável”, mas também aos próprios cristãos – sem os quais não será possível realizar essas reformas. O autor refere ainda que este é também um livro para não-cristãos, mas dificilmente um não-cristão pode sentir entusiasmo (bonita palavra que quer dizer “levar Deus dentro se si”) nestas 19 meditações eclesiais, porque não está do lado de dentro da Igreja.
OUSAR CRITICAR - A crítica às instituições religiosas é uma característica dos grandes profetas, a começar pelos do Antigo Testamento (“quero misericórdia e não sacrifícios” – a frase mais citada no Novo Testamento) e passando por Jesus Cristo, que tem uma morte política depois de uma condenação religiosa. O profeta de Nazaré sentiu mais do que ninguém a necessidade de mudança no judaísmo, começando pela reforma do coração de cada pessoa.
O AUTOR - Olivier Le Gendre, o autor, não é teólogo de profissão, nem padre. Diz a capa do livro que “nasceu em 1950, é casado e pais de cinco filhos. Estudou letras e gestão (...). Editorialista, conferencista, autor de uma carta semanal de aconselhamento estratégico para dirigentes de empresa e responsáveis de administração, é igualmente animador de sessões e retiros”. Escreveu um livro que, dos publicados ultimamente, é sem dúvida o melhor sobre a Igreja. Se alguém, após iniciar a leitura, se sentir defraudado, leia pelo menos o último capítulo (“O Evangelho da Igreja” – onde se nota a vocação de animador de retiros) e perceberá por onde passa o futuro da Igreja.

4 Comments:
O Dr. António, fututo director desse grande órgão informativo que é o DdV (não confundir com DVD), patenteia nestas palavras de recensão uma sabedoria inaudita de alguém que muito estudou as problemáticas inerentes a todos aqueles que, por nunca saberem de nada, quase sempre carecem de tempo para efectuarem algo que, na perspectiva proposta, se manifesta qual desarrazoado perspicazmente voluntário e, por isso mesmo, incisivo. Por onde tem andado, Dr. António?
Tó, agora a sério. Gostei da recensão e quero ler o livro, eventualmente nas jornadas de alfafar.
zé
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