Thursday, June 29, 2006

Precisamos de uma nova apologia

A Teologia Apologética ficou tão fora de moda, tão colada à escolástica, tão centrada nos milagres como razões para crer, que teve de mudar nome. Hoje chama-se Teologia Fundamental. Serve para falar de coisas como Fé, Razão, Porquê crer em vez de não crer, Que Credibilidade, Que possibilidades de crer. É um espaço onde teólogos e filósofos se dão bem. Debatem. Antes era espaço de confronto. Agora (desde há umas décadas) é de diálogo.
Porém, a leitura de um livro de Teologia Fundamental, académico, pode levar o não iniciado a pensar : "Hummm... Isto é tão estéril. As razões para crer não podem ser ditas de outra forma mais simples?" Precisamos de uma Nova Apologia. Uma que use a linguagem directa de antigamente, com o pensamento da actualidade. Uma que diga por que é que crer é melhor do que não crer. Que mostre que crer é (ou pode ser) de pessoas críticas e não ingénuas, no mundo actual e não a olhar para o passado, de intelectualmente adultos (e não infantis), de urbanos e não apenas de rurais, de tecnológicos e não apenas de tradicionais.
Deus insinua-se

González Faus e Ignacio Sotelo escrevem a meias “Deus e a Fé. Razões do crente e do não crente” (Ed. Casa das Letras). G. Faus é jesuíta. É o crente, portanto (em alguns casos e contextos, esta dedução poderia ser problemática). Na parte sobre Deus (as outras são sobre Jesus e o ser humano), o não crente intitula assim um dos seus textos: “Se Deus existisse, notar-se-ia”. Ao que o crente responde, também em título: “Deus insinua-se”.

Catolicismo para totós

Aqui está um livro que nunca será publicado em Portugal. Primeiro, porque, de catolicismo, todos sabem tudo. Somos todos católicos, qual é a dúvida? Depois, porque, em Portugal, os católicos não lêem. Sabemos bem que assim é. Se fôssemos calvinistas ou luteranos, leríamos muito. Como somos católicos, basta rezar o terço.
Que estranho. Por que é que o terço há-se ser símbolo do Catolicismo e a Bíblia do Protestantismo? Por que é que o analfabetismo demorou mais tempo a acabar nos países de tradição católica? Porque nestes não se lia a Bíblia. Só isso.

Resta dizer que "Catholicism for Dummies" é realmente muito bom. Sacei umas vinte páginas da net e acho que merece mesmo ser traduzido. Melhor (mais bonito, mais bem arrumado, com dicas) do que o Catecismo da Igreja Católica.

Wednesday, June 28, 2006

Futebol no convento

Fernando Santos, agora treinador do Benfica, disse um dia que se rezar ajudasse a vencer jogos, uma equipa de monges ganhava o campeonato. Quando se anda no futebol com referências cristãs, não há maneira de fugir às provocações.

O treinador volta à questão, na Folha do Domingo, via Ecclesia:
"No princípio, os clubes não percebiam porque é que eu ia à Eucaristia e me ausentava algum tempo, mas eu tinha o cuidado de explicar aos meus jogadores e à direcção a importância, para mim, da Eucaristia.Isso gera alguma conversa. Às vezes algumas frases menos agradáveis. Uma das coisas que dizem, por vezes, a meu respeito é que sou muito brando porque sou cristão, porque vou à igreja e à Eucaristia e não é assim. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Até por aí é uma forma de nós testemunharmos".
Atitudes do espírito

Por que é que uns acreditam e outros não? Por que é que uns são fundamentalistas e outros são cépticos? Estarão próximos? Por que é que uns crêem apesar das dúvidas, outros não crêem por causa das dúvidas (e até apesar das certezas), e outros se abstêm de dedicir entre crer e não crer?
Que tipos de fé e de crença há? Quantos? Como?
Onde encontrar uma catalogação geral das atitudes do espírito?
«Os Pensamentos» e a «Gramática»

“O plano do que chamamos «Os Pensamentos» concebeu-se a si próprio por volta de 1660. O livro completo devia ter sido uma defesa do Cristianismo cuidadosamente construída, uma verdadeira Apologia e uma espécie de Gramática do Assentimento, expondo as razões que convencerão o intelecto”.Isto escreveu T.S. Eliot em 1931 («Ensaios Escolhidos», ed. Cotovia). O anglo-católico, no ensaio «Os Pensamentos de Pascal» várias vezes relaciona a obra do autor francês com a do inglês. «Os Pensamentos» e a «Gramática» são duas obras a que voltarei com frequência.
Ambrósio de Milão

Santo Ambrósio foi bispo de Milão. Nasceu em Tréveris, por volta de 340, de uma família romana cristã, e fez carreira como funcionário do Estado. Foi aclamado bispo de Milão no dia 7 de Dezembro de 374. Aclamado popularmente. Nessa altura a escolha dos bispos tendia a ser democrática. Ambrósio foi uma figura ideal de bispo, pastor e pregador. Escreveu hinos e deu início a uma liturgia que ainda hoje é usada (a ambrosiana). Morreu no dia 4 de Abril de 397. O seu maior discípulo tinha 43 anos e viria a mudar a face da fé cristã: Agostinho de Hipona.
Dialéctica

"Não aprouve a Deus salvar o seu povo com a dialéctica".John Henry Newman cita esta frase de Santo Ambrósio no início do seu "Ensaio a favor de uma Gramática do Assentimento" (edição recente, em português, da Assírio & Alvim).Em latim: "Non in dialectica complacuit Deo salvum facere populum suum".Onde está dialéctica, leia-se filosofia e argumentação. Ou seja, apologia.