Wednesday, July 12, 2006

León Rozitchner (1)

A entrevista é espantosa pelas incongruências do entrevistado. Mas vale a pena prestar atenção, porque há ideias que fazem escola e ganham adeptos. Surgiu na revista Pública de 2 de Julho de 2006.

León Rozitchner nasceu em 1924, em Buenos Aires, onde vive. Judeu ateu, Rozitchner é filósofo de formação marxista e freudiana.

O que diz o sr. Rozitchner:

"O cristianismo inaugurou a violência e a opressão tal como existem hoje no mundo. As Cruzadas foram um acto de violência sem precedentes na História da Humanidade. Antes do cristianismo, não havia anti-semitismo, nunca houve perseguição religiosa, pelo menos de uma forma organizada e sistemática. Os muçulmanos nunca foram anticristãos nem anti-semitas. O cristianismo está por trás de todas as formas de opressão que foram surgindo na História. A própria sociedade capitalista, onde tudo se tornou uma mercadoria, onde se dá pouco valor à vida humana, é invenção do cristianismo".

"Foi nas abadias que se criaram as primeiras contas bancárias. O capitalismo é um produto do cristianismo. Porque Cristo se tornou na figura simbólica da realidade. Símbolo do pai, símbolo do masculino e símbolo da aniquilação do corpo. As sociedade capitalistas contemporâneas constroem-se segundo estes princípios. E uma ideologia que não valoriza o corpo não pode respeitar a vida humana".

"[No cristianismo], se não se valoriza o corpo, como se pode valorizar a pessoa? No cristianismo, a morte não tem sentido. Estamos destinados a sobreviver. A morte é apenas uma passagem. Temos mesmo de perder esta vida para ganhar a outra, a mais verdadeira. No cristianismo há duas mortes. Para salvar a alma é necessária a morte do corpo".

(Continua)