Saturday, October 14, 2006

Crédito sim, esmola não

Os pobres não precisam de esmola, precisam de crédito. Esta é a ideia-base, e muito antiga, do microcrédito de Muhammad Yunus, que ontem ganhou o Prémio Nobel da Paz, juntamente com o Grameen Bank. Jutificação do comité: “Todos os indivíduos têm o potencial e o direito de viver uma vida decente. Em muitas culturas e civilizações, Yunus e o Grameen Bank mostraram que até o mais pobre dos pobres pode trabalhar para alcançar o seu desenvolvimento”.

Este Nobel foi uma óptima notícia para os pobres que nunca tinham ouvido falar de microcrédito. Trouxe visibilidade. Uma ideia e uma pequena quantia podem fazer toda a diferença. Ninguém está destinado à miséria.

O “banqueiro dos pobres”, nunca deu uma esmola (faz questão que todos saibam disso), mas já ajudou 500 milhões de pessoas (ou, como alguns gostam de dizer: “Ajudou a que se ajudassem”). Fez imenso pelo desenvolvimento, “o novo nome da paz”, conforme disse o Papa Paulo VI nos anos 60. Em Portugal, segundo o jornal Público, houve até agora 615 empréstimos, que criaram 711 empregos.

Esta ideia do crédito em vez da esmola encaixa na doutrina moral social católica, que diz que o bem deve ser bem feito. Sem dúvida que há um tipo de caridade que é o bem mal feito (quando a curto, médio ou longo prazo prejudica). Não é caridade, sequer.

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