Deus, que Deus?
Diz Anselmo Borges na crónica do DN de 15 de Outubro: “Não há dúvida de que hoje, concretamente na Europa, há uma crise da religião, que é sobretudo uma crise de Deus. Basta perguntar, se modo simples: para quantos é que Deus ainda conta realmente nas suas decisões vitais, tanto no domínio pessoal como colectivo?”
A questão é pertinente e o padre filósofo preconiza uma “mística do quotidiano”. Mas teremos nós, sociedade europeia, saudades do tempo em que Deus contava nas decisões pessoais e colectivas? Esse tempo era melhor? E depois, a grande questão: de que Deus falamos quando falamos de Deus? Nunca daí conseguimos sair.
O que é Deus contar nas decisões pessoais e colectivas? Como é que isso se faz, sem falar de pecado (as decisões humanas contra Deus)? Como pode existir o pecado no meio do relativismo e do psicologismo (aquele que quer evitar os traumas de uma educação rígida e/ou religiosa, por exemplo).
Mais: Deus nas decisões colectivas e pessoais... não é isso que acontece nos fundamentalismos?
O apagamento de Deus na sociedade contemporânea e dos seus sucedâneos (o pecado, os sacramentos – sinais do sagrado, o céu e o inferno, o valor do sacrifício, a oração) não afectam apenas a sociedade. Afectam a Igreja. Numa recente reunião em que se debatia o laicismo, um alto responsável dizia: “Se fosse há 30 anos, estávamos aqui a discutir o céu e o inferno, agora estamos a falar de laicismo, laicidade e presença da Igreja na sociedade”. Dizia isso como sinal de atenção da Igreja aos problemas do mundo. Mas a minha leitura é outra: significa a perda de significado do que é intrinsecamente religioso (e que por isso ilumina ou obscurece toda a vida humana), e irrelevância da própria Igreja. É que nem esta fala de Deus, do céu e o inferno, do pecado e da graça. E se fala, fala com as categorias do passado, as quais, de tão conotadas com outras épocas, foram necessariamente abandonadas. A Igreja é mais reflexo da sociedade do que fermento.
O problema, ao contrário do que dizia Anselmo Borges, não é o apagamento de Deus da sociedade. É o apagamento de Deus da Igreja. Talvez apagamento seja demasiado forte. Digamos antes: o modo irrelevante de falar de Deus e de Jesus Cristo nas homilias, nos livros, nos jornais e revistas católicos. Mas, que quem falamos, quando falamos de Deus?
Diz Anselmo Borges na crónica do DN de 15 de Outubro: “Não há dúvida de que hoje, concretamente na Europa, há uma crise da religião, que é sobretudo uma crise de Deus. Basta perguntar, se modo simples: para quantos é que Deus ainda conta realmente nas suas decisões vitais, tanto no domínio pessoal como colectivo?”
A questão é pertinente e o padre filósofo preconiza uma “mística do quotidiano”. Mas teremos nós, sociedade europeia, saudades do tempo em que Deus contava nas decisões pessoais e colectivas? Esse tempo era melhor? E depois, a grande questão: de que Deus falamos quando falamos de Deus? Nunca daí conseguimos sair.
O que é Deus contar nas decisões pessoais e colectivas? Como é que isso se faz, sem falar de pecado (as decisões humanas contra Deus)? Como pode existir o pecado no meio do relativismo e do psicologismo (aquele que quer evitar os traumas de uma educação rígida e/ou religiosa, por exemplo).
Mais: Deus nas decisões colectivas e pessoais... não é isso que acontece nos fundamentalismos?
O apagamento de Deus na sociedade contemporânea e dos seus sucedâneos (o pecado, os sacramentos – sinais do sagrado, o céu e o inferno, o valor do sacrifício, a oração) não afectam apenas a sociedade. Afectam a Igreja. Numa recente reunião em que se debatia o laicismo, um alto responsável dizia: “Se fosse há 30 anos, estávamos aqui a discutir o céu e o inferno, agora estamos a falar de laicismo, laicidade e presença da Igreja na sociedade”. Dizia isso como sinal de atenção da Igreja aos problemas do mundo. Mas a minha leitura é outra: significa a perda de significado do que é intrinsecamente religioso (e que por isso ilumina ou obscurece toda a vida humana), e irrelevância da própria Igreja. É que nem esta fala de Deus, do céu e o inferno, do pecado e da graça. E se fala, fala com as categorias do passado, as quais, de tão conotadas com outras épocas, foram necessariamente abandonadas. A Igreja é mais reflexo da sociedade do que fermento.
O problema, ao contrário do que dizia Anselmo Borges, não é o apagamento de Deus da sociedade. É o apagamento de Deus da Igreja. Talvez apagamento seja demasiado forte. Digamos antes: o modo irrelevante de falar de Deus e de Jesus Cristo nas homilias, nos livros, nos jornais e revistas católicos. Mas, que quem falamos, quando falamos de Deus?

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