Never ending story
Há dias, numa conversa à mesa, um bispo dizia que o cristianismo é uma conversa que nunca acaba e que isso é mais um motivo para ser cristão. Falava-se a propósito do discurso do Papa e das dificuldades que tem a hermenêutica muçulmana. O islamismo é uma conversa acabada. Está tudo escrito num só livro, está tudo explicado – dispensa-se a exegese e a hermenêutica. No cristianismo, há pluralidade desde o início (quatro evangelhos, não um), muita diferença, logo, motivos para muita conversa. A conversa inacabada, dizia o bispo, já fora notada por um dos discípulos de Cristo: “Só tu tens palavras de vida eterna”.
Lembrei-me desta conversa sobre a conversa ao ler George Steiner: “A pátria judaica é o texto, comprometido com a memória, examinado minuciosamente e objecto de intermináveis comentários (cf. a “análise interminável” de Freud) em qualquer parte do mundo. A mitologia judaica consiste, por excelência, na prolífica crónica das histórias dos Mestres e dos episódios explicativos que acompanham os seus ensinamentos” (“As Lições dos Mestres”, pág. 125).
Há dias, numa conversa à mesa, um bispo dizia que o cristianismo é uma conversa que nunca acaba e que isso é mais um motivo para ser cristão. Falava-se a propósito do discurso do Papa e das dificuldades que tem a hermenêutica muçulmana. O islamismo é uma conversa acabada. Está tudo escrito num só livro, está tudo explicado – dispensa-se a exegese e a hermenêutica. No cristianismo, há pluralidade desde o início (quatro evangelhos, não um), muita diferença, logo, motivos para muita conversa. A conversa inacabada, dizia o bispo, já fora notada por um dos discípulos de Cristo: “Só tu tens palavras de vida eterna”.
Lembrei-me desta conversa sobre a conversa ao ler George Steiner: “A pátria judaica é o texto, comprometido com a memória, examinado minuciosamente e objecto de intermináveis comentários (cf. a “análise interminável” de Freud) em qualquer parte do mundo. A mitologia judaica consiste, por excelência, na prolífica crónica das histórias dos Mestres e dos episódios explicativos que acompanham os seus ensinamentos” (“As Lições dos Mestres”, pág. 125).

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